09/04/2009

O Plano Tecnológico da Educação - Isabel Igreja, Professora do Ensino Secundário - Porto

É uma das bandeiras deste governo. Erguida bem alto, acompanhada de um sorriso confiante e de um tom de voz convincente, faz acreditar, sem sombra de dúvida, que é o meio mais eficaz de nos livrar do estigma de país atrasado que sempre nos deixou tão deprimidos. E ai de quem se atreva a pronunciar um pequeno “mas”, a colocar a mais remota hipótese de haver outras prioridades… Os olhos arregalam-se e um dedo intimidatório coloca-nos de imediato e sem contemplações no rol dos que, irresponsavelmente, se opõem à modernidade e ao progresso da Nação.

É óbvio que promover a literacia computacional não é um erro. Quem teve que aprender, já tarde, a relacionar-se com este precioso auxiliar e se apercebeu da mais-valia que constitui o domínio das ferramentas informáticas tem a perfeita noção do quanto a sua vida poderia ter sido facilitada. No entanto, apostar na Informática sem qualquer tipo de planificação prévia ou de visão crítica, distribuindo Magalhães a torto e a direito a crianças que vão passar a considerá-lo (porque só esse conhecem!) o único meio de se ligarem ao mundo e de se cultivarem, é reduzir os seus horizontes e torná-las futuros eleitores limitados e acríticos.

Quem sabe se não é isso que se pretende…

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