15/04/2009

Reflexão de Macedo de Barros, militante 11905,representante na Assembleia Distrital de Braga

De facto, o que verdadeiramente importa é a interligação de políticas, de modo que o sucesso seja o resultado das condicionantessócio-económicas e culturais das pessoas. Precisamos de uma sociedade mais justa; precisamos que os nossos jovens tenhamboas perspectivas de futuro profissional e cívico; precisamos que os professores se dediquem aos destinatários do ensino, em vezde se dedicarem à promoção económica da classe; precisamos de fomentar o altruísmo, de modo que o objectivo seja a partilha derecursos pelo esforço energético de cada um e não pelo estatuto académico ou de privilégio social decretado; precisamos de criaruma nova consciência social, de colaboração e igualdade de acesso à partilha dos recursos, pelos interessados na sua formação. Sódepois disto podemos preparar a última reforma, digo última, porque as reformas parciais e sectoriais devem ser feitas depois dasque afectam o sistema global! Tem havido muita falta de organização política das estratégias, apesar de abundar diversidade detácticas experimentais, governo após governo, num campo de lutas divergentes, travadas entre uma miríade de grupinhos, constituídosna nossa sociedade, para poderem arrecadar os tesouros das batalhas! Cada um tem lutado por si e não pelo colectivo...!

Quando o governo nacional se empenhar no controlo do espírito anti-social das pessoas e dos grupos privilegiados, vertendoenergias para criar um sistema público de missão social e serviço aos destinatários gerais das políticas, que são todos os cidadãos,então teremos uma função pública apenas interessada em servir bem e respeitosamente quem a paga, em vez de ainda continuarapenas interessada em servir-se das honrarias do Estado que a emprega...

Leia aqui o texto na integra.

“Alunos problemáticos ou simplesmente alunos?” - Reflexão de Luís Murilhas, Vogal da Comissão Política Secção do PSD Barreiro

Ultrapassada, mas definitivamente não resolvida que está a questão da avaliação dos professores, uma vez que já verificámos que não a recusam, simplesmente não concordam com este modelo imposto à força pelo ministério da educação, urge tentar compreender (se nos é possível) a escola dos nossos dias, num ponto de vista especifico.

Com a evolução da sociedade fomos assistindo pouco a pouco ao surgimento de um modelo típico de aluno que se destaca dentro das nossas instituições de ensino pela forma de andar, vestir e de actuar perante os professores, funcionários e demais alunos. Trata-se do muito falado aluno problemático.

As escolas inserem este tipo de estudantes em currículos alternativos, “turmas especiais”, medidas de excepção na sua essência, ou seja um aglomerado de alunos problemáticos, das mais diversas comunidades, mas onde se incluem, em situações específicas, alunos provenientes de todas as camadas da sociedade.

Os alunos integrantes deste tipo de turmas escolares, podem ou não estar inseridos na escolaridade obrigatória, isto é, menores de 16 anos estão em idade escolar obrigatória, dos 16 em diante, fora da escolaridade obrigatória.

Estes jovens, caracterizam-se por serem procedentes das mais diversas classes sociais, inseridos, regra geral, em agregados mono parentais, na sua maioria, dependentes de RSI (Rendimento Social de Inserção), que aliás, medida curiosamente congelada durante algum tempo e agora, com a aproximação eleitoral, disparou desde o inicio do ano, e no actual contexto de crise económica, onde existem famílias em sérias dificuldades financeiras, encontram, nesta ilegal forma de viver, uma solução rápida para resolver os problemas.

Estes adolescentes, encontram-se, normalmente, integrados em grupos de risco, ligados à violência urbana em grupo. Conhecedores das molduras penais que lhes podem provocar dissabores, consumidores de drogas leves, nalguns casos ligados a criminalidade violenta na sua plenitude, como são exemplos os casos gravosos de carjacking e homejacking, mas ressalvo que nem todos estão directamente envolvidos com a frequência deste tipo de situações, é como tudo na vida, há gente boa e gente má em todo o lado.

Este tipo de estudante com tendências desviantes, falta sucessivamente às aulas, o que é desde logo considerado absentismo grave, havendo poucas ferramentas que o professor ou a própria instituição de ensino possa utilizar para o “fazer” regressar à escola.

Depois de ouvido o encarregado de educação, e na repetição do absentismo do aluno, a escola é obrigada a informar a CPCJ (comissão de protecção de crianças e jovens) do concelho onde a instituição se situa, que o aluno é faltoso.

Nesta altura, inicia-se um suposto acordo de promoção e protecção do jovem.

A CPCJ actua com as medidas legais que tem ao seu dispor, que ficam emperradas logo ao início se o encarregado de educação pura e simplesmente recusar a intervenção desta comissão, é um direito que lhe assiste, embora na generalidade dos casos o encarregado de educação aceite a intervenção desta comissão, com resultados pouco satisfatórios quer para a comissão, quer para o aluno em causa.

Com esta recusa, a comissão é obrigada a enviar o processo para Tribunal de Menores e aqui não há muito a dizer. A demora é de tal forma significativa que o estudante chega a “esperar” dois anos por uma resolução do problema.

Como problemático que é, tem os ditos comportamentos de risco, e acaba por cometer algum crime, não interessando aqui se violento ou não, sendo apanhado pelas autoridades competentes, como menor, é presente à respectiva instância legal e o seu processo é encaminhado para a DGRS – Direcção Geral de Reinserção Social – onde vai iniciar um novo processo, por vezes com entrevistas de personalidade para aferir eventuais distúrbios que tenha. Aqui, é obrigatória a presença do encarregado de educação, não podendo este recusar a intervenção das autoridades relativamente ao menor, uma vez que foi cometido um crime.

O processo vai evoluindo, qual novelo de lã, até que o jovem se vê envolvido com equipas móveis da Segurança Social, que garantem o seu regresso à escola, ou se a situação for já muito gravosa solicitam a institucionalização do jovem à semelhança do que pode fazer a DGRS.

Em conclusão, existem nas instituições de ensino público em Portugal mais alunos deste tipo do que a comunidade tem conhecimento. Talvez não seja do interesse das escolas revelar que estes supostos aprendizes as frequentam, pois isso seria degradar o bom-nome da instituição, embora não seja segredo para ninguém, pois só não vê ou não reconhece esta situação quem não quer.

Tratam-se de crianças e jovens problemáticos, referenciados pelas autoridades e pela justiça pelas mais diversas práticas criminais e que partilham o dia-a-dia, nas escolas com todos os outros alunos, com os nossos filhos, sobrinhos e com crianças e jovens cujos encarregados de educação tentam preservar e incutir valores morais e éticos de acordo com as boas práticas de cidadania e respeito pelo próximo.

Claro que não posso concordar em isolá-los do resto dos alunos, posso é pedir uma maior intervenção das entidades competentes, que acompanham este tipo de adolescentes cujo futuro é incerto.

É sabido que os problemas sociais neste tipo de “estudantes” existem, e se não forem alvo de uma intervenção séria por quem de direito, se não forem criadas ferramentas adequadas para que as autoridades possam intervir, a criminalidade violenta associada à delinquência juvenil só poderá seguir o caminho ascendente, sendo que o futuro da sociedade mas sobretudo o destes jovens, poderá ser desastroso.

14/04/2009

Reflexão de Amílcar Antunes (nome fictício) – Professor Titular do Ensino Básico e Secundário - Coimbra

Vejo a escola como o lugar em que se espelha a sociedade. Pondo de lado as minorias dos casos perdidos e dos sucessos incondicionais rumo a qualificações no estrangeiro, a grande massa da população estudantil vai levando a coisa na atitude de que logo se vê, sem definir rumos para poder atingir metas. “Viram-se” os professores para “arrancar a ferros” resultados do que ensina. O que hoje é, já não o é amanhã. A quantidade de Leis, Decretos-Lei, Despachos, Circulares e orientações afins que diariamente chegam às escolas via correio electrónico, para ser mais rápido, é no mínimo desorientadora e perturbadora da ordem necessária à educação.

Todos os agentes envolvidos no ensino necessitam de uma política de educação estável, de denominação made in Portugal, transversal a partidos governamentais que garanta estabilidade no que se ensina e no que se aprende. Tende-se a confundir desassossego com escola activa.

A educação, bem maior de um povo, deve ser colocada acima de contendas políticas e ser considerada prioridade nacional.

13/04/2009

O que verdadeiramente importa na actual reforma educativa – Reflexão de Pedro Mazeda Gil

No sector da educação assistimos recentemente a um confronto entre adversários fantásticos. Professores do ensino básico e secundário, de um lado – a ‘corporação’, situacionista – e o Governo, do outro – o ‘reformador’. Mas este confronto está centrado num aspecto acessório, a avaliação dos docentes.

Porquê acessório? Parece evidente que, se se quiser reger por boas regras de gestão, qualquer organização deve fazer uma avaliação regular do desempenho dos seus colaboradores e não vejo porque é que os professores deverão fugir a esta prática. Isto explicará o empenho do Governo neste ponto. Já a posição dos professores é a que cabe a uma corporação profissional, também ela empenhada, mas na defesa do statu quo, conquistado com árduas batalhas desde o 25 de Abril de 1974. É certo que os erros e atropelos do Governo no desenho e implementação do processo de avaliação merecem vários tipos de crítica e exigem correcções importantes. Mas a interpretação que a opinião pública faz da reacção dos professores como uma luta corporativa parece-me acertada e, aliás, corroborada tanto pelas intervenções públicas dos dirigentes sindicais, como pelas declarações televisivas de professores ‘anónimos’ no calor da batalha.

Mas, dizia eu, este aspecto é acessório – claro está, não do ponto de vista da ‘corporação’, mas do ponto de vista social. E é tal o poder de atracção deste acessório que até os comentadores habitualmente mais atentos e rigorosos se focalizam nele, perdendo-se na sua espuma. Porém, fugindo aos holofotes dos media, permanece a corrente de fundo da reforma do sistema educativo português. E, sim, parece tratar-se de uma verdadeira reforma; diria mais, uma mudança de paradigma científico-pedagógico. Utilizando uma expressão querida do actual Primeiro-Ministro, isto é o que verdadeiramente importa.

Já foi declarado publicamente, de modo suficientemente explícito e claro, pelos responsáveis governativos: a experiência mostra que a retenção não melhora os resultados escolares, antes incentiva o abandono; logo, reduza-se ao mínimo o recurso àquele instrumento. Escola sem retenção, será, pelo caminho mais fácil, uma escola sem abandono. E, digo eu, matam-se dois coelhos com uma cajadada, melhorando-se, a um tempo, as estatísticas escolares naquelas duas vertentes. A redução drástica dos instrumentos efectivamente usáveis pelos professores em sala de aula que permitam preservar um ambiente de disciplina e respeito na e pela escola (como, por exemplo, as faltas disciplinares ou o mecanismo de reprovação por faltas) insere-se neste contexto de excomunhão da retenção e abandono escolares.

Por mero acaso, com certeza, o objectivo estratégico aclamado pelo Governo não é conduzir uma reforma que leve, digamos, num prazo de dez anos a uma subida de dez lugares dos alunos portugueses no ranking internacional gerado pelo PISA1, mas é antes reduzir as taxas de retenção e de abandono, sem mais. Mas estas, por si, não aferem a qualidade do sistema de ensino em substância. Ao invés, o Governo deveria tomar a diminuição daquelas duas apenas como um objectivo operacional conducente à concretização do objectivo estratégico centrado, por exemplo, nos rankings PISA, sendo que a avaliação do sucesso (ou insucesso) da reforma educativa apenas poderia ter significado à luz da prossecução (ou não) deste último. Caso contrário, ficamos em mãos com um processo facilmente viciável, vulnerável ao designado efeito de moral hazard, e possivelmente inconsequente.

Mas, mesmo deixando de lado a visão extremada, inspirada na estética Romântica do séc. XIX, de que cada indivíduo, sujeito a uma orientação mínima, construirá o seu próprio conhecimento, posso imaginar um sistema de ensino em que, do primeiro ano ao décimo segundo, nenhum aluno reprova de ano, cada qual prosseguindo ao seu ritmo, extensão e intensidade. Tratar-se-ia, possivelmente, de um cenário em que se conseguiria formatar a oferta curricular às ‘necessidades’, ‘preferências’ e ‘capacidades’ de cada aluno, o que nos remete para o conceito de currículo alternativo levado ao extremo. Será isto, em absoluto, exequível, sobretudo num contexto em que a ausência de disponibilidade financeira – excepto para os benditos quadros interactivos – está a levar as escolas, outra vez, para a constituição de turmas com bem mais de vinte alunos, ao mesmo tempo que se encerram estabelecimentos de ensino, que não se conseguem renovar os contratos do pessoal auxiliar e que as infra-estruturas físicas de base se degradam?

De qualquer modo, mesmo num cenário de currículos alternativos funcionando em pleno deverá haver uma forma de avaliação do desempenho dos alunos em causa, ou seja de medida da extensão do cumprimento dos objectivos pré-estabelecidos, de modo a ser possível uma discriminação positiva entre alunos. O mercado de trabalho, no fim e ao cabo o destino de todos eles, não espera outra coisa. As declarações públicas dos responsáveis governativos não parecem ter adiantado nada a este respeito. Apenas ficou claro que o caso finlandês é, também nesta área, exemplo a seguir pelo nosso Governo.

Na verdade, a Finlândia tem merecido grande atenção internacional, designadamente pelos excelentes resultados nos rankings PISA (primeiro lugar em vários anos). O seu sistema de ensino tem características muito próprias, podendo salientar-se, esquematicamente, dois pontos: o reduzido número de regras impostas de ‘cima para baixo’, numa estrutura altamente descentralizada, e o forte espírito de auto-avaliação. Mas a Europa reúne uma grande diversidade de sistemas. Destaco também o caso da França, o qual, não tendo resultados tão brilhantes quanto a Finlândia nos rankings PISA, se tem posicionado, ainda assim, nos lugares cimeiros. E destaco-o porque o modelo que segue é justamente um exemplo de forte centralização e de regras impostas de ‘cima para baixo’.

E onde Portugal se poderá encaixar? Antes de respondermos a esta questão, convirá ter em mente que as instituições, para serem sustentáveis, precisam de encontrar um equilíbrio no seu seio, um género de mecanismo de checks and balances, recorrendo à conhecida expressão anglo-saxónica. No caso da Finlândia, a relativa ausência de regras de emanação centralizada é compensada por uma enraizada cultura de auto-avaliação ao nível individual. O caso francês parece ser um exemplo do inverso. A aplicação do primeiro modelo ao contexto português, para mais sem margem para incremento de meios financeiros, arrisca-se a redundar num sistema sem regras fortes centrais e sem mecanismos de auto-avaliação e de correcção ao nível individual, grandemente ausentes da cultura nacional2. Em contraste, os dados sugerem que o estudo do caso francês poderia ser bem mais frutuoso, dada a proximidade à forma histórica de relacionamento do Estado com os cidadãos em Portugal.

Mas, em todo o caso, veja-se que a estratégia governamental é coerente. Por um lado, como se disse acima, pretende-se uma escola inclusiva (lembram-se da velha Utopia da Escola Inclusiva?), sem retenção, sem abandono, com muitas aprendizagens mas sem ensino, em que os professores deixam de o ser, para assumirem o papel de entertainers. Por outro, a organização interna dos grupos docentes, ao nível da escola, está já a ser feita em detrimento e desvalorização da especialização em áreas científicas. Por outro ainda, a formação de professores, nas Escolas Superiores de Educação e nas Universidades, entretanto adaptadas ao processo de Bolonha, ficará com uma componente de especialização científica muito reduzida. Ou seja, se as mais recentes levas de professores destinados ao ensino básico e secundário já demonstram debilidades notórias ao nível científico, em parte como reflexo da democratização do ensino da década de 90 do século passado, imagine-se o efeito da nova linha formativa assumida pelo governo. Mas, como disse acima, tudo isto é coerente. Para quê ‘professores de Português’, ‘professores de Matemática’, ‘professores de Física e Química’, ‘professores de Filosofia’, se não se vai ensinar Português, Matemática, Física e Química ou Filosofia?

Em conclusão, se nos mantivermos nesta trajectória, para o que é que nos devemos preparar? Provavelmente para um sistema dual, com um ensino público do tipo ‘depósito de crianças e jovens problemáticos’ com docentes ‘entertainers’ versus algum ensino privado, que, usando a sua autonomia, fará (como já faz agora) a senda dos modelos pedagógicos que desenvolvem processos de ensino-aprendizagem nos quais métodos e técnicas próprios de uma sociedade da informação se conjugam com a ‘antiquada’ tríade objectivos-avaliação-selecção. A ilação a tirar em termos de política é que, sendo certo que o sistema educativo na sua versão anterior não era satisfatório e que, portanto, não fazer nada não seria alternativa, há claramente que discutir as opções tomadas pelo actual Governo no que toca os termos fundadores da reforma educativa em curso.

1Programa internacional da OCDE para o controlo da aprendizagem, que classifica os resultados obtidos por alunos de 15 anos de 32 países em testes que medem as suas competências na leitura, matemática e ciências.

2Um argumento semelhante parece ser o que sustenta a crítica à aplicação do modelo dinamarquês da ‘flexi-segurança’ ao nosso mercado de trabalho, prevendo que, daquele modelo, apenas consigamos, verdadeiramente, aplicar a ‘flexibilidade’, uma vez que a ‘segurança’ depende, em grande parte, de uma cultura empresarial e laboral que não possuímos.

10/04/2009

Falar a Língua Portuguesa de maneira clara e objectiva: Reflexão de Luísa Barros, Advogada

Vieram-me à memória algumas das frases, inevitáveis como um tique e que se propagaram de tal forma que fazem com que muita e muita gente as empregue, sempre que a boca se abre.

De mansinho a epidemia instalou-se e o resultado foi a transformação da linguagem que se pretende clara, directa e cuidada, numa verdadeira enxurrada de disparates verbais, utilizados a propósito e a despropósito, mais a despropósito, acrescente-se a bem da verdade. Cheguei à exaustão.

Trata-se de expressões profundamente irritantes, que não consigo digerir, mesmo tomando sais de fruta. Já não há pachorra para: "Não há condições" – mero desabafo a propósito de tudo e nada; "Tipo” e "tipo assim" – viu-se um filme tipo comédia, era uma mulher tipo bonita; "É que… é já a seguir" – o quê? não interessa; nada acontece; “Tás a ber” – nada mostra nem se espera “ber” coisíssima alguma; “peguei e fui “ – mesmo não indo a parte alguma; “tou que nem posso” – que nada explica.
Pior mesmo suportar na comunicação oral (Deus nos livre se a epidemia se alastra à escrita…!) esta moda de começar as frases por “Então… é assim…!!!”, absolutamente insuportável. Não serve para nada. É tamanha a irritação mesmo em rijos tímpanos, que adivinham a inevitável e consequente verborreia balofa, empolada de um chorrilho de generalidades. Não serve para nada.

Ao ponto de ficarmos agradados se o falante não tiver a mania, ainda mais intolerável, de repetir, abundas vezes, a improfícua expressão, no conjunto das duas ou três frases seguintes, caso em que, para evitar o vírus, nos resta apresentar cumprimentos e “até à próxima”.

Não nos livraremos, porém, de ouvir outra tolice: “Então vá…” – bastava “até amanhã”. (Ora “então vá-se catar!” penso), ou “Vá tão…” igualmente absurdo (aqui desisto, já nem penso).

Tais banalidades não adiantam coisa nenhuma, antes se utilizam na abordagem frequente de um qualquer assunto, como um hábito, uma moda, que insiste em se fazer -se notar.

Haja quem pare este distúrbio linguístico, motim de desmiolado palavreado.

É-me difícil contemporizar com tais expressões, que por aí se fazem ribombar a propósito de tudo e de nada, que nada acrescentam nem ao que querem dizer, se é que querem dizer alguma coisa, nem à qualidade da linguagem.
Estou um bocado farta destes intelectuais de rua. Quem dera que praticassem o silêncio?

E as célebres muletas linguísticas (crutch-words)? “Portanto” no princípio da frase, “prontos…”, que dá para tudo (“e prontos… foi assim”; “prontos… acabou”, “anda daí… e prontos”), …Certo? e Ok!? no fim de cada frase…
São como um espelho da própria sociedade: letrados não nascem ignorantes, mas aprendem dentro da sociedade em que vivem.

Porque não sensibilizar as famílias e escolas para que formem cidadãos bem falantes, na plenitude do termo?
Precisa-se alguma maturidade (também linguística), de falar claro!
Não carece de bazófia, exibicionismo ou pedanteria. Não é necessário ostentar palavras sábias e eruditas. Basta a clareza. Eficaz e perceptível !
Actualmente se é importante discutir as reformas educativas, a avaliação de alunos e professores e o desempenho do Ministério Tutelar, também é preocupante esta realidade em que nada se faz estimular o devido e merecido uso da Língua Mãe.
E se para tal for preciso uma insurreição a nível nacional, nessa luta, sim, contem comigo!

Tenho dito!

09/04/2009

Educação e contexto familiar: Reflexão de Maria Gagliardini Graça – Professora Aposentada do Ensino Secundário - Porto

O exercício pleno da Liberdade exige Educação de qualidade e empenhamento familiar na sua obtenção.

O papel da escola na solução destes problemas não pode ser isolado do contexto familiar e social da origem dos alunos.

A responsabilização dos pais e encarregados de educação pelo comportamento escolar dos seus educandos, pelas suas ausências à escola e consequente insucesso exige mudanças legislativas que efectivamente transformem a escolaridade obrigatória numa obrigação familiar.

O Plano Tecnológico da Educação - Isabel Igreja, Professora do Ensino Secundário - Porto

É uma das bandeiras deste governo. Erguida bem alto, acompanhada de um sorriso confiante e de um tom de voz convincente, faz acreditar, sem sombra de dúvida, que é o meio mais eficaz de nos livrar do estigma de país atrasado que sempre nos deixou tão deprimidos. E ai de quem se atreva a pronunciar um pequeno “mas”, a colocar a mais remota hipótese de haver outras prioridades… Os olhos arregalam-se e um dedo intimidatório coloca-nos de imediato e sem contemplações no rol dos que, irresponsavelmente, se opõem à modernidade e ao progresso da Nação.

É óbvio que promover a literacia computacional não é um erro. Quem teve que aprender, já tarde, a relacionar-se com este precioso auxiliar e se apercebeu da mais-valia que constitui o domínio das ferramentas informáticas tem a perfeita noção do quanto a sua vida poderia ter sido facilitada. No entanto, apostar na Informática sem qualquer tipo de planificação prévia ou de visão crítica, distribuindo Magalhães a torto e a direito a crianças que vão passar a considerá-lo (porque só esse conhecem!) o único meio de se ligarem ao mundo e de se cultivarem, é reduzir os seus horizontes e torná-las futuros eleitores limitados e acríticos.

Quem sabe se não é isso que se pretende…

Reflexão de Maria Brandão, Professora Titular do Ensino Secundário - Porto

Educar, formar, fazer crescer harmoniosamente é uma tarefa árdua, morosa, que implica sacrifícios e medidas impopulares.

Educar um filho requer esforço, muitas horas de sono perdidas, fins-de-semana abdicados ou adiados, imposição e cumprimento de regras incómodos.

O Ministério da Educação está a comportar-se como os Pais da nova geração que se demitem das suas funções. É mais fácil ceder às birras e amuos do que se fazer obedecer. É mais fácil deixar fazer asneiras do que incutir valores, princípios morais e éticos.É mais fácil e moderno ser um amigo do que ser PAI.

Assim procede também o nosso Ministério.

É mais popular aprovar um Novo Estatuto do Aluno que permite que os jovens não cumpram as suas obrigações, do que os responsabilizar para uma cultura do cumprimento do dever.

É mais fácil retirar disciplinas estruturantes do Ensino Básico, introduzindo áreas curriculares não disciplinares (Estudo Acompanhado, Formação Cívica e Área de Projecto), do que fazer ver às crianças e respectivos Encarregados de Educação que sem trabalho não há aquisição de competências.

É mais fácil abulir os exames do que enfrentar as estatísticas desfavoráveis.

É mais fácil deturpar a verdade dos exames nacionais de Matemática do que investir em melhor educação.

Consequentemente, é mais fácil para os nossos políticos e governantes matricularem os seus filhos em escolas privadas (como faz o nosso Primeiro Ministro que tem os filhos na Escola Alemã), do que pugnar por um ensino público de qualidade para todos.

Reflexão de Nuno Lameiras, Professor aposentado do Ensino Secundário - Marco de Canavezes

1. Ao contário da reacção de muitas pessoas, reconheci sempre a pertinência de medidas até polémicas, como, por exemplo, as célebres aulas de substituição ou o encerramento de escolas do 1º CEB. Na verdade, procurei entender o lado positivo dessas opções, que, na sua essência, foram importantes.

2. A minha revolta relativamente à ministra começou com a sua arrogância para com os professores. Na minha vida profissional de quase 40 anos de ensino, nunca tinha visto tal coisa. Essa atitude foi lamentável: a) mostrou um enorme desrespeito por quem trabalha; b) pretendeu, de forma primária, conquistar os pais; c) contribuiu inexoravelmente para a indisciplina e o péssimo clima instalado em muitas escolas.

3. O aspecto mesmo GRAVE das políticas educativas foi, realmente, a avaliação de professores. Não pela avaliação em si - necessária, embora implementada através dum processo estapafúrdio -, mas sim pela medida que, perfidamente, a precedeu, incompreensivelmente (?) ignorada pelos partidos e pelos próprios sindicatos: a divisão entre professores titulares e não titulares. Num acto de autêntico chicoespertismo eficaz e rápido, essa medida, BASEADA NUMA VALIDAÇÃO FALSA E ARBITRÁRIA DE ELEMENTOS DA CARREIRA, desprezou a dignidade das pessoas e lançou o caos moral e psicológico entre os docentes. Não tem perdão! Só mais tarde, com a consubstanciação do processo avaliativo, muitas pessoas se deram conta da dimensão do logro em que tinham caído, pois os titulares passariam a ser avaliadores dos não titulares, QUANTAS VEZES COM MUITO MENOS PREPARAÇÃO DO QUE ESTES!! Diz-se, e eu acredito, que os sindicatos "negociaram" esse crime com o número de professores em funções sindicais...

"Contributo dos Professores do Ensino Secundário Manuela Oliveira e Jacinto Oliveira"


Reflexão de Isabel Gomes - Professora Titular do Ensino Secundário - Porto

Sou professora titular. Comecei a ensinar há 33 anos. Estou numa escola do centro da cidade há 27 anos.

Quando comecei, as escolas estavam mal apetrechadas, não havia computadores, muito menos Magalhães, os Laboratórios eram insuficientes (obrigando as turmas a usarem um sistema rotativo para todos poderem efectuar as suas experiências), mas havia ordem nos recreios, funcionários suficientes para vigiarem os alunos, as salas, os equipamentos, ajudarem os professores a cumprir a missão para a qual tinham sido contratados.

Hoje, os funcionários reformam-se e não são substituídos. Os doentes metem baixa e o seu lugar fica vazio.

O pessoal auxiliar é manifestamente insuficiente. Ninguém vigia os recreios onde os alunos têm tempo para efectuarem todas as acções de vandalismo que pretenderem, para se agredirem, para exercerem acções de Bulling sobre os mais vulneráveis, para pintarem muros e escrever palavrões nas paredes.....

Há dinheiro para escolas novas, para portáteis para todos, mas não se vê o mínimo investimento em recursos humanos.

A violência nas escolas aumentou em 2008? Pois há-de continuar a aumentar e muito se não se tomarem medidas preventivas e de uma vigilância mais apertada. É mais fácil prevenir do que remediar!

Mas, de facto, o Ministério porventura até tem razão. Para quê apanhar um aluno em flagrante a prevaricar se com o Novo Estatuto do Aluno este é o pequeno reizinho das escolas a quem quase tudo é permitido.

08/04/2009

Educação: pela exigência, o mérito e o direito de escolha

DATA: 16 de Abril
HORA: 21h
LOCAL: Aveiro - Centro de Congressos de Aveiro
COORDENADOR EXECUTIVO: Paulo Cutileiro Correia
COORDENADOR DA SESSÃO: Pedro Botelho Gomes
MODERADOR: Marcelo Rebelo de Sousa (Professor Universitário, Universidade de Lisboa)
ORADORES:
Nuno Crato (Professor de Matemática, ISEG-UTL)
Natividade Correia (Professora do Ensino Secundário, Coimbra)
José Manuel Canavarro (Professor Universitário, Universidade de Coimbra)

Clima de confronto na educação: Reflexão de António Fidalgo, Professor aposentado do Ensino Secundário – Braga

O sector da educação é, por natureza, uma área muito dinâmica e em constante evolução. As novas tecnologias e os novos ambientesculturais vão configurando públicos-alvos (alunos) com maneiras de ser novas e com novas expectativas relativamente à escola.Daí que se esperassem várias alterações e novas filosofias informantes do processo educativo.

Quando se desejava um clima de diálogo e serenidade para a implementação da mudança, eis que um Ministério da Educação cavalgadopor uma equipa de tiranetes provoca um autêntico terramoto no domínio da formação das gerações do futuro. Um vendavalde declarações e tomadas de posição reduziu a dignidade de carreiras dedicadíssimas à causa educativa a um conjunto humilhadode gente sem dignidade nem categoria profissional.

Mas como “quem semeia ventos colhe tempestades”, os responsáveis ministeriais deviam saber que estavam a minar irremediavelmentea relação com toda uma classe profissional que ia reagir fortemente contra as medidas tentadas para mudar a educação.Tudo o que foi sendo proposto vinha inquinado por um intolerável complexo de perseguição e vontade de reduzir os professores ameros funcionários sem capacidade de pensar.

Queriam-nos reduzidos a simples correias de transmissão dos caprichos ministeriais. E assim, assistiu-se a uma reacção nunca vistanestes domínios, com manifestações, greves e todo o tipo de contestação às, muitas vezes, tacanhas medidas governamentaisque tinham fins economicistas e não os de melhoria da qualidade da escola pública. É caso para dizer que “não havia necessidade”de entrar por estes caminhos e provocar um ambiente desgastante dentro das escolas que prejudica o trabalho de milhares deprofissionais que têm dado o melhor de si à causa da educação.

07/04/2009

Estatuto do Aluno no ensino secundário: Reflexão de Maria Soares, Professora do Ensino Secundário - Porto

Quem teve a ideia louca dos Planos de Recuperação não tem noção do que é uma escola e não defende valores como a honestidadee a responsabilidade. Os alunos que faltam sem justificação deviam ser excluídos por excesso de faltas e encaminhados para oensino profissional.

Com esta e outras medidas do género, todas numa política de facilitismo, o ensino oficial está a degradar-se completamente. Onível de exigência de hoje não tem nada a ver com o de há dez anos atrás. Os alunos podem chegar ao décimo ano sem nunca teremestudado (sem esforço) e sem saberem estar numa sala de aula. É a Escola da mediocridade.

O choque com o 10º ano é violento e grande parte fica para trás. Os bons alunos são os grandes prejudicados. Os professores nãotêm tempo para investir nesses alunos.

Dou aulas há 30 anos, os meus filhos estiveram todos no ensino oficial mas os meus netos, infelizmente, terão de ir para colégios.

A escola oficial está a transformar-se numa fraude.

Escola inclusiva! Inclusiva para quem? Para os “baldas” e irresponsáveis?! É nisso que o Ministério está a transformar a Escola Pública.Num local onde a irresponsabilidade é premiada.